Eu Assisti a Série O Pai da Minha Filha porque eu caí no cartaz da Netflix sem querer. Vi o nome da Silvia Navarro ali, lembrei dela do SBT nas tardes da minha avó, e pensei “vamos ver o que ela tá fazendo agora”. Dei play achando que era um dramalhão médico rápido e tomei uma rasteira. Não é sobre hospital. É sobre o que a gente faz quando uma mentira vira questão de vida ou morte.
A série acompanha a Maca, vivida pela Silvia Navarro. Ela é médica, mãe solo na prática, e tem a filha Julieta, que é o mundo dela. O que a Maca mais quer é salvar a filha, só que a Julieta tem uma emergência renal e precisa de um transplante urgente. O primeiro conflito estoura ali, na busca por um doador compatível: o exame mostra que o pai que criou a Julieta a vida toda não é o pai biológico dela. E pronto, o chão some.
Silvia Navarro tá absurda e me fez ter raiva e dó da mesma pessoa
Eu fiquei muito preso na Maca. A Silvia não faz aquela mãe sofredora caricata. Ela faz uma mulher inteligente que tomou uma decisão lá atrás e agora tem que pagar o preço na frente da filha doente. Tem hora que eu queria abraçar ela, tem hora que eu queria gritar “por que você não falou antes?”. Essa ambiguidade é o melhor da série. Ela segura o olhar, ela mente bem, e você sente a culpa dela sem ela precisar chorar o tempo todo. A Azul Guaita, que faz a Julieta, também manda muito bem porque não faz a vítima passiva. Ela quer viver.
Essa história me deixou desconfortável porque não tem vilão pra apontar
O que mais me pegou em O Pai da Minha Filha é que não tem um cara mau. Todo mundo tem um motivo quase justificável pra ser escroto. Sem spoiler, mas tem uma cena que me quebrou: a Maca e o possível pai biológico se encontram num corredor de hospital e ninguém grita. É só um silêncio de 10 segundos que vale mais que qualquer discussão. Eu senti o peso de anos ali. É desconfortável de um jeito bom, porque te obriga a se perguntar: eu contaria? Eu perdoaria? A série mexicana geralmente apela pro grito, aqui o drama é abafado, quase sussurrado.
O ponto fraco pra mim, sendo bem honesto, foi a quantidade de subtrama. Em algum momento a história da Julieta, que é o coração de tudo, fica um pouco de lado pra dar espaço pra treta de Gustavo, Bernardo, Maria e outras famílias. Eu entendo que são 10 episódios e precisam encher, mas teve episódio ali no meio que eu só queria voltar pro hospital e esquecer o resto de Tulum.
Vale a pena se você curte:
- La Casa de las Flores – pelo drama familiar mexicano cheio de segredos mal guardados
- Mãe Só Tem Duas – pela pegada de maternidade, mentira e DNA
- Até Que a Morte Nos Separe – por ser aquele suspense doméstico que começa pequeno e vira bola de neve
Ficha Técnica
- Nome: O Pai da Minha Filha (El Otro Padre)
- Criação: Roberto Stopello
- Elenco principal: Silvia Navarro (Maca), Azul Guaita (Julieta), Manolo Cardona, Erik Hayser, Paola Núñez
- Gênero: Drama familiar, Suspense
- Duração: 10 episódios, entre 40 e 49 minutos cada
- Classificação: 16 anos
- Lançamento no Brasil: 22 de julho de 2025 na Netflix
Onde assistir
O longa estreou na Netflix em 22 de julho de 2025. Atualizado em Agosto/2026: ele já está disponível na Netflix por assinatura no streaming.
Trailer Oficial
Conclusão com Selo Pipoca
No fim, O Pai da Minha Filha não é sobre rim, é sobre consequência. Eu terminei a série meio angustiado, pensando na minha própria família e nos segredos que a gente guarda achando que tá protegendo alguém. Não é perfeita, se perde um pouco no meio, mas acerta onde importa: te faz torcer por duas famílias que você sabe que não podem ganhar juntas. É aquele drama que você assiste de uma vez e fica remoendo depois. Pra mim, valeu cada episódio.
Selo Pipoca: 4 pipocas de 5.

