Eu assisti à série The Sinner porque sempre via muita gente elogiando a forma diferente como ela tratava os crimes. Em vez de focar em descobrir quem cometeu o assassinato, a proposta era entender o motivo. Essa ideia me chamou atenção, e bastaram poucos episódios para eu perceber que estava diante de um suspense bem diferente do convencional.
A primeira temporada acompanha Cora Tannetti, interpretada por Jessica Biel, uma mulher que comete um crime brutal em uma praia, diante de várias pessoas. O detalhe é que ela mesma não consegue explicar por que fez aquilo. A partir daí, o detetive Harry Ambrose começa uma investigação que vai muito além das provas, tentando descobrir o que aconteceu no passado da protagonista para levá-la àquele momento. Sem spoilers, cada temporada apresenta um caso diferente, sempre com Ambrose tentando desvendar o que realmente está por trás de crimes aparentemente inexplicáveis.
O maior mistério nunca é o crime
O que mais me marcou em The Sinner foi justamente essa inversão da fórmula tradicional dos suspenses policiais. Normalmente a pergunta é “quem fez isso?”. Aqui, quase sempre sabemos quem fez logo no começo. O verdadeiro desafio é entender o porquê.
Isso deixa a série muito mais psicológica do que investigativa. Conforme os episódios avançam, pequenas peças do passado vão se encaixando, fazendo a percepção sobre os personagens mudar completamente.
Sem spoiler, mas tem uma sequência na primeira temporada em que uma simples lembrança desbloqueia uma série de acontecimentos. Foi nesse momento que percebi que a história era muito mais profunda do que parecia nos episódios iniciais.
Bill Pullman faz um detetive impossível de esquecer
Se Jessica Biel entrega uma atuação intensa na primeira temporada, Bill Pullman é quem se torna a alma da série.
O detetive Harry Ambrose está longe de ser aquele investigador perfeito. Ele é cheio de traumas, inseguranças e decisões questionáveis, o que torna suas investigações ainda mais interessantes. Em vários momentos eu me peguei mais curioso sobre a vida dele do que sobre o próprio caso.
Cada temporada também apresenta novos personagens e conflitos, o que evita a sensação de repetição. Mesmo quando o ritmo desacelera, a construção psicológica mantém o interesse.
Nem todas as temporadas têm a mesma força
Se existe um ponto negativo, é que as temporadas variam bastante em qualidade. A primeira continua sendo, na minha opinião, a mais impactante.
As seguintes ainda têm boas histórias e ótimas atuações, mas nem todas conseguem provocar o mesmo nível de tensão ou surpresa. Ainda assim, nenhuma delas deixa de ser interessante para quem gosta de suspense psicológico.
Vale a pena se você curte…
- Mindhunter (2017–2019)
- True Detective (2014–)
- Mare of Easttown (2021)
Ficha Técnica
Nome: The Sinner
Criação: Derek Simonds
Baseada no romance de: Petra Hammesfahr
Elenco principal: Bill Pullman, Jessica Biel (1ª temporada), Carrie Coon, Matt Bomer, Chris Messina e Alice Kremelberg
Gênero: Suspense psicológico, drama policial
Temporadas: 4
Classificação: 16 anos
Estreia: 2017
Onde assistir
A série estreou em 2017 pelo canal USA Network. The Sinner está disponível na Netflix em diversos países, incluindo o Brasil.
Trailer Oficial
Conclusão com Selo Pipoca
The Sinner foi uma das séries de suspense que mais me prenderam justamente porque escolheu um caminho diferente. Em vez de apostar apenas em reviravoltas, ela mergulha nos traumas, na culpa e na complexidade dos personagens.
Terminei cada temporada tentando entender como experiências do passado podem influenciar decisões extremas no presente. É uma série inteligente, muito bem interpretada e que exige atenção aos detalhes.
Mesmo com temporadas um pouco irregulares, o saldo continua extremamente positivo.
🍿 Selo Pipoca: 4,5 de 5 pipocas. Se você gosta de suspense psicológico com personagens bem construídos e investigações que vão muito além do crime, The Sinner merece entrar na sua lista.

